Porque mudar o nosso  mais próximo, se não sabemos o que é sentimento e comportamento

 

Ter noção do quê é possível mudar em um individuo muito próximo é uma questão de sabedoria. Primeiro, devemos saber que os sentimentos são mais difíceis de serem mudados que os comportamentos. Isso significa, por exemplo, ser mais fácil convencer nosso muito próximo a não deixar a lâmpada do banheiro acesa ao sair, as toalhas em cima da cama,não arrumar sua roupa,isso é  comportamento. Convencê-lo de que isso é muito importante é sentimento ou ainda, mais fácil convencê-lo à tratar bem uma pessoa de quem gostamos também e´]é comportamento do que fazê-lo também gostar dessa pessoa  é sentimento. Precisamos entender o que é sentimento e comportamento

Em segundo lugar, é bom saber que seria muito mais sensato procurar entender e conviver bem com os sentimentos de nossos muito próximos do que pretender mudar seu comportamento.
Uma das maneiras para entender e conviver bem com os sentimentos de nosso muito próximo é procurar nos colocar em seu lugar. O mais correto para entender seus sentimentos é procurar se sentir como se fôssemos ele, nas circunstâncias dele, com o temperamento dele, vivendo a situação dele... e não pretender que ele tenha sentimentos como se fosse os nossos, pretender que ele se sinta de acordo com nosso temperamento e nossa situação.

A pretensão para que nosso muito próximo se sinta culpado, errado, arrependido, mal agradecido, etc., como às vezes gostaríamos que se sentisse, dificilmente será satisfeita, pois, tal como nós, ele também gosta de seu próprio ego como gostamos do nosso. Ele também se acha certo e com razão.

A pretensão para que nosso mais próximo goste de nós tanto quanto desejamos (e achamos justo), também pode não ser possível pois, pelo fato dele ser ele, não sabe o tanto que gostaríamos de ser gostados. Isso é o mesmo que dizer: se eu fosse ele eu gostaria muito muito muito de mim, seria grato à mim mesmo, acharia que estou muito certo...

Para não nos magoarmos, irritarmos ou frustrarmos com nosso mais próximo é importante termos em mente que ele sente as coisas de acordo com sua personalidade, com sua idade, com suas circunstâncias, suas idéias, sua cultura, seu sexo , e assim por diante. É importante termos em mente que esse nosso mais próximo não está errado por sentir as coisas ao seu modo. Nós erramos por termos a pretensão para que ele tenha outros tipos de sentimentos, portanto, ao sofrer por nosso muito próximo, muitas vezes estamos sofrendo por nossas pretensões.

Quando não conseguimos viver bem com os sentimentos de nosso muito próximo devemos estudar a possibilidade de alguma mudança e, para tal, podemos recorrer a elementos valiosos. O diálogo, a conversa franca, a exposição de nossos próprios sentimentos, de nossas expectativas contribuem para que nosso mais próximo venha a reavaliar seus sentimentos, venha a perceber as coisas de um modo diferente, de uma maneira que nos agrade mais ou, no mínimo, que se disponha a discutir essa questão conosco.

De um modo geral, não devemos considerar a mudança dos sentimentos de nosso muito próximo como única condição à nossa boa convivência. Se acontecer alguma mudança, será algo excepcionalmente agradável às nossas exigências e, não acontecendo, o melhor será investirmos na possibilidade de mudar nosso modo de ser. A grande dificuldade é de observar o que é comportamento e o que sentimento, se começarmos a observar os sentimentos será muito mais fácil  de convivermos com quem “devemos” amar. Veja que devemos gostar das pessoas e amar aos nossos. Procure ter a sensibilidade de saber dividir  comportamento ( que são ações) de sentimentos ( que são desejos e vontades de sentir}. Quando buscar o sentir poderemos “viver” mais e melhor.

Fique em paz

 

 

 

Autor:  Fernando Weikamp

Psicanalista Clinico

Membro da Associação Brasileira de Medicina Complementar

Membro da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Complementar

Membro do Sindicatos dos Psicanalistas do Estado de São Paulo

 

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